sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Quais as vantagens de uma abertura de capital?

Por Luís Fernando Tredinnick*



Ok, Palmeirense, depois do marco histórico que é a aprovação da Arena, espero que após esse dia 30 de agosto possamos ter outras datas tão marcantes quanto esta! Quem sabe uma dessas datas seria a abertura de capital do clube?

Como vocês puderam ver é importante manter salvaguardas na abertura de capital, ou casos como o do Manchester City podem ocorrer por aqui. Gente dos Emirados Árabes comprou o clube do ex-primeiro ministro da Tailândia, Thaksin Shinawatra. No meio do caminho, aproveitaram e compraram o passe do Robinho. Podemos imaginar o que gente da Tailândia e dos Emirados Árabes têm a ver com um clube de futebol inglês? Particularmente sou contra a compra de clubes brasileiros por estrangeiros ou mesmo que uma pessoa possa comprar um clube de futebol.

Mas, depois de apontar os problemas e questões pertinentes a uma abertura de capital, chegou a hora de falar sobre as vantagens existentes. Sim, existem muitas vantagens potenciais, mas resumi no quadro abaixo aquilo que acredito ser mais relevante:

São dos pilares fundamentais: a profissionalização e a transparência

A profissionalização

A profissionalização dos times de futebol é o primeiro passo necessário para uma abertura de capital.

Os principais cargos do clube devem ser preenchidos por profissionais, com experiências relevantes no mercado, com metas claras e definidas.

Atualmente muitas das pessoas que ocupam posições importantes dentro do clube não conseguem dedicar integralmente seu tempo os clube e raramente são cobrados pelo seu desempenho contra metas objetivas. Ainda que muitos sejam realmente apaixonados pelo clube a falta de tempo, ou a inadequação ao cargo/responsabilidade, ou os dois, faz com que seu desempenho seja baixo.

Talvez a maior mudança seja mesmo o estabelecimento de metas: o profissional que está lá sabe que resultado deve atingir e essas metas são do conhecimento de todos. Isso requer a existência de um planejamento macro para o clube e o detalhamento desse planejamento para todo os outros departamentos do clube.

Uma meta para o diretor das Divisões de Base pode ser o aproveitamento de dois jogadores da base no time principal. Então o diretor deve trabalhar para atingir essa meta, garantindo que exista um desenvolvimento adequado dos atletas, de acordo com os padrões de exigência do clube.

Evidentemente que mesmo empresas profissionais podem falir, mas as chances de profissionais terem bons resultados é infinitamente maior do que a dos amadores.

A transparência

A transparência é um grande sonho que temos no futebol brasileiro.

Durante anos culpamos os dirigentes dos clubes por acordos obscuros que lesam os clubes. Durante anos a imprensa acusou que “empresários ficaram ricos com a compra e venda de jogadores”.

Honestamente falando, muito pouco se sabe DE FATO sobre o que acontece nos bastidores.

Escutei no Estádio 97 no dia 26 de agosto o seguinte comentário do Sombra: o Juan Figger está para o São Paulo assim como a Traffic está para o Palmeiras (a frase foi mais ou menos essa) . Estavam discutindo sobre a venda de um zagueiro onde apenas 20% seria do clube. No caso do Palmeiras, é fácil saber quais jogadores pertencem à Traffic e quanto eles custaram. No caso do pessoal do Jr. Leonor, é fácil saber quais jogadores pertencem ao empresário? Alguém sabe quanto eles custaram? Que tipo de contrato existe entre o clube e o empresário?

Um bom exemplo de transparência é o balanço do Internacional. Lá para cada jogador vendido aparece o valor pago, quem pagou e que parte pertence ao Internacional. Seria tão difícil fazer isso ser obrigatório para todos os clubes?

A transparência não seria apenas a divulgação sobre a compra e venda de jogadores, mas também sobre a estrutura do clube e a utilização dos recursos dentro do clube.

A divulgação da estrutura permite que todos saibam quem é responsável por que atividades dentro do clube. Quem é responsável pelas parcerias? Quem é o responsável pela manutenção do estádio? Quanto custa a manutenção?

Os acionistas do clube demandam mais informações sobre a utilização do dinheiro do que as atualmente divulgadas (afinal, é o dinheiro deles que está em jogo) e acompanham o que acontece com as finanças do time.

Assim seria fácil comparar os custos e receitas entre os times e verificar quem é mais eficiente. Assim, os acionistas podem demandar uma melhor gestão do clube com base em fatos e estabelecer metas! Por exemplo, imagina o acionista olhar o jornal e descobrir que os custos administrativos (tudo aquilo que não é ligado ao futebol e à comercialização) do Corinthians são de R$ 10 milhões/ano e o do Palmeiras é de 6. Imediatamente o acionista pode demandar uma REDUÇÃO nos custos do Corinthians. Sim, ele pode demandar, afinal, é dono de um pedaço do clube!

Evidentemente, uma maior transparência diminui em muito as possibilidades de corrupção dentro dos clubes.

As conseqüências: o acesso a mais empresas e a novas formas de financiamento

Muitas empresas e empresários temem se envolver com o futebol justamente por acreditar que é um meio corrupto e amador.

Com a profissionalização e um aumento de transparência, mais empresas passam a ter a possibilidade de desenvolver parcerias com os clubes de futebol. Parcerias com os clubes vão muito além de contratos de patrocínio.

Oferecer serviços de transporte, viagens, convenções, etc, podem ser feitas através de parcerias entre o clube e as empresas. Imaginem convenções de vendas sendo realizadas no CT do clube, com direito a disputa de pênaltis contra os goleiros do time? Se hoje um empresário tentar prestar um serviço ou fechar uma parceria, ele nem ao menos vai saber com quem ele deve falar.

Adicionalmente às novas parcerias com empresas, o clube pode captar dinheiro no mercado de uma maneira mais eficiente.

Dentro de um regime profissional, os gestores do clube só poderiam solicitar empréstimos para projetos específicos e dentro de limites seguros para o clube. Os bancos tenderiam a cobrar menos por empréstimos, já que ele conhece melhor as finanças do clube. O dinheiro viria para o clube melhorar seus resultados e não para cobrir rombos.

O clube também poderia captar dinheiro via emissão de debêntures, que podem ser mais interessantes para o clube do que empréstimos bancários. Como existe transparência em relação à situação do clube, seria mais fácil encontrar interessados em financiar o clube via esse tipo de empréstimo.

Em tempo: o Real Madri vendeu o seu centro de treinamento para comprar o passe do Beckham. Vendeu para o governo espanhol, mas isso já é uma outra história....

Conclusão:

Com uma gestão melhor, maior transparência das finanças, adicionados a novos mercados os clubes e novas fontes de financiamento, os clubes podem iniciar um círculo virtuoso de crescimento! Esse círculo virtuoso poderia mesmo levar o futebol brasileiro a novos patamares e garantir uma melhoria do esporte no país.

Obviamente a abertura de capital de um clube tem muitos benefícios POTENCIAIS, porém NÃO É a solução para todos os problemas do clube, como pensam alguns psedo-entendidos.

Resta saber se você, leitor, é a favor ou contra a abertura de capital dos clubes?

Saudações AlviVerdes

p.s.: nas próximas semanas iremos explorar o novo projeto da Traffic, que acaba de contratar Carlos Alberto Parreira e nossa sugestão de passos para a abertura de capital para os clubes brasileiros

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*Luis Fernando Tredinnick escreve todas as sextas-feiras no 3VV, explicando a quem conhece e também a quem não conhece os números no futebol.

13 comentários:

Anônimo disse...

Erick Meirelles:

Luis Fernando: Como você já sabe com o que leu nos meus outros comentários, eu tenho medo da bolsa. Mas agora passou uma coisa na minha cabeça, e eu TENHO que te dar toda a razão.

Pensei assim: Um clube se profissionaliza e consegue divulgar uma imagem transparente. Abre o seu capital de maneira SEGURA, como você sempre propõe nos seus artigos. Empresas começam a investir no clube; e as pessoas que se ocupam da direção do mesmo, levando em conta que são profissionais competentes, levam essas empresas e o clube a lucrar e prosperar.Isso chamaria atenção de mais empresas, e não só beneficiaria o clube, as empresas antigas e as novas investidoras, como o próprio esporte brasileiro.

Acho que não seria loucura pensar que parte do lucro poderia ser investido em instalações de ponta de esportes olímpicos, transformando os clubes de Futebol em verdadeiros centros esportivos. O que ajudaria o clube em si, e o esporte Brasileiro, como um todo.

Um clube vencedor, profissional e transparente que ajudou o Brasil a resolver ser problema de exclusão social pelo esporte sem precisar copiar o modelo universitário de sucesso dos EUA, por exemplo. Lá dá certo assim, aqui dá certo de outro jeito.

Seria maluquice pensar assim? Se for, eu apóio o seu artigo e a minha loucura!

Grande abraço e espero o próximo post!

Claudio disse...

Luís Fernando, ótimo texto.

A resposta não é fácil. Como realizar uma abertura de capital se não conseguimos mudar o quadro diretivo e perfil do conselho? Isso está muito difícil de se obter, ao menos em um curto espaço de tempo, quando se fala em mudança cultural, visão de mundo, formação acadêmica e moral.

Atualmente, para que a pequena ilha de competência dentro do Palmeiras se mantenha ativa, ainda depende de manobras políticas e de muito jogo de cintura para não explodir com um cenário presente de sucesso.

Analisando suas colocações e deixando de lado o perfil atual do clube, acredito realmente que a saída para realizarmos um choque de gestão seria a abertura do capital com as devidas salvaguardas.

E tomando como base o que mencionei no início. Será que uma proposta de abertura do capital passaria por todas as esferas do Cube se conhecemos o perfil deficitário atual da maior parte do Conselho e Direção?

Abraço,
Claudio Baptista Jr.

Luis Filipe Fabiani disse...

Luis Fernando,

Aproveitando que este é o site do Vicente, e não da S.E. Palmeiras, queria lançar uma pergunta importante:

Lendo esta notícia no uo ( http://noticias.uol.com.br/pelenet/revista/ult1334u1635.jhtm), o que um clube deve priorizar: jogadores da parceria ou formar novos jogadores? O que parece ser melhor a longo prazo?

E também qual o lance com o Iraty? O luxa tem participação nesse clube? Seria ético o Luxa indicar jogadores de um clube do qual ele se beneficia com as vendas de jogadores?

Anônimo disse...

Oi pessoal tudo bem? Fabiani concordo plenamente com voce quando o Palmeiras esta com problemas. Digo isto, pois bati varias vezes aqui na tecla que JAMAIS O CLUBE PODERIA MANDAR EMBORA WENDEL, FRACIS E WILLIAM,POIS QUALQUER DONA DE CASA SABE, SE VOCE TEM DIVIDAS E PRECISA DE DINHEIRO VOCE PRECISA GANHAR 100% E NÃO 20%. Pra mim seria altamente viavel mesclar jogadores 100% Palmeiras com outros. AGORA EU ACHO QUE UMA COISA É FOGO NESSE MEIO. NÃO SEI DE ONDE VOCE TIROU QUE O LUXA SE BENEFICIA COM A VENDA DOS JOGADORES DO IRATI. Existe muita especulação, mas prova nenhuma. E o pior a fonte dessa especulação são pessoas de caracter tão duvidavel quanto SERIA DUVIDAVEL O CARACTER DO LUXEMBURGO. Digo seria, pois são essas pessoas que poe em duvida o caracter de Luxemburgo.
Eu penso o seguinte nisso: PELA INTELIGENCIA, NÃO TEM COMO NEGAR, DO LUXEMBURGO, ELE SERIA MUITO BURRO SE SUJAR POR TÃO POUCO. PORQUE DUVIDO QUE VA MELHORAR A VIDA DELE UMA VENDA DE UM JOGADOR COMO ESSE TAL DE THIAGO.

Um abraço.
xxx D.G. XXX

Luís Fernando disse...

Erick e Cladio,

Particularmente acredito que ainda estamos muito longe de profissionalizarmos os clubes de futebol.

Sem dúvida a profissionalização pode render muitos frutos para o Brasil e também para os esportes olímpicos. Pensem bem, se o Palmeiras recebe bons dividendos do Futebol Palmeiras S.A., teria dinheiro para investir tanto no clube quanto nos demais esportes. Isso seria muito bom para todo mundo.

Por sinal o próximo artigo também vai falar sobre isso.

Uma das questões que temos que levantar é se os sócios não deveriam eleger o presidente do clube de MANEIRA DIRETA. No Barcelona é assim. Aparentemente o pessoal da marginal sem número mudou o estatuto para terem eleições diretas.

Cabe a pergunta: Por que o presidente deve ser eleito por conselheiros? Por que existem conselheiros vitalícios?

Em teoria uma eleição direta traria mais peso para a MERITOCRACIA e menos para a politicagem.


Fabiani e D.G.,

Sem dúvida é necessário ter uma categoria de base forte e principalemnte ESTRUTURADA.
Os frutos de uma boa categoria de base demoram para aparecer.

Na reportagem inclusive o Luxa diz que "precisa ter projeto". Isso tem muito a ver com o que o Vicente diz sobre PLANEJAMENTO.

Vamos explorar esses temas nas próximas semanas. Aguardem.

Saudações AlviVerdes

Alvaro disse...

Luis Fernando, quanto mais eu penso sobre isso, mais eu chego à conclusão que a idéia de clubes brasileiros abrirem o capital não é uma boa.

O círculo virtuoso de crescimento também pode ser obtido sem a abertura do capital e a chave para isso é o que você mesmo colocou como pré-condição - a profissionalização do futebol. Com ela, nada impede que o clube ofereça bastante transparência com seus balanços auditados e assim acesse melhor o mercado de capitais, captando recursos pra investir e crescer.

Minha grande preocupação é que ainda não estou convencido que é possível alinhar CONSTANTEMENTE os interesses dos acionistas e dos torcedores. Os torcedores muitas vezes buscam objetivos intangíveis que não necessariamente se traduzem em receitas ou lucros.

Por exemplo, será que se o Palmeiras fosse 100% profissional, teria escolhido jogar a final com a Ponte Preta no Palestra ao invés do Morumbi? (Não estou criticando nossa decisão, eu acho que fizemos o certo!) E esse nem é um exemplo muito bom, porque ainda se podem encontrar alguns argumentos financeiros para justificar o Palestra.

Outra questão importante - quem seriam os investidores? O objetivo seria fazer com que a torcida encontre uma forma de contribuir com o time comprando ações? Ou estamos falando em investidores "de verdade" que realmente demandam um retorno em seu investimento? Tudo bem, teoricamente as duas situações não são mutuamente exclusivas, mas não sei se na prática isso seria o caso...

E assumindo que estamos falando de investidores de verdade, certamente eles demandariam uma taxa de retorno extremamente alta para investir em um negócio tão arriscado assim.

E olhando o quanto faturam os principais clubes brasileiros, mesmo assumindo que se tornassem empresas com fins lucrativos com uma margem líquida razoável, seria difícil justificar um valor da empresa alto o suficiente para que os recursos arrecadados com uma abertura de capital fossem suficientes para alavancar grandes benefícios.

Com faturamentos e lucros tão baixos, qualquer metodologia de avaliação do valor das empresas vai cuspir um montante quase irrisório.

Desculpe pelo longo comentário, mas acho este assunto fascinante.

Luis Filipe Fabiani disse...

DG, não tenho provas, só levantei a bola do que ta rolando na imprensa sobre isso....

De qq forma, tb não acho que ele esteja envolvido, mas..........

não é pq somos PALESTRA que não devemos estar atentos!

Abraços

Luís Fernando disse...

Alvaro,

Nas próximas semanas vou escrever um passo-a-passo sobre a abertura de capital dos clubes de futebol.

Em relação ao valor que poderia ser arrecadado pelos clubes: os clubes da Inglaterra foram vendidos em média por 4 a 5 vezes a receita.

Acredito que um clube brasileiro deveria ser vendido por mais do que isso, visto que nós não aproveitamos muitas oportunidades.

Se o Palmeiras hoje fatura cerca de 100 milhões e o clube vale 5 vezes a receita, então o Palmeiras vale 500 milhões.

Se o clube vender metade das ações, teremos uma arrecadação de 250 milhões. Bom, já daria para reformar o Palestra sozinho....

Como vc pode ver, os montantes podem ser bem significativos.

Quanto ao fato dos resultados não serem constantes. Muitas indústrias são cíclicas e apresentam resultados bons durante alguns anos e ruins durantes outros, como a indústria de papel e celulose. E existem investidores que investem nessas empresas sem grandes problemas.

Fique ligado, pois ainda discutiremos muito esse assunto.

Saudações AlviVerdes

Anônimo disse...

Então "LUISES" Fernando e Fabiani, eu acho como voces que tudo tem que melhorar e é preciso fiscalizar mesmo. A unica coisa que acho é que não existe essa cobrança. A torcida só lembra de cobrar quando a "agua bate na bunda". Eu sempre cito o exemplo do Wendell que só lembramos quando ja era tarde e mesmo assim só se questiona quando o time sofre uma derrota mais forte ou senttimos falta de qualidade nos reservas.
Eu acho que a cobrança tem que ser feita nas vitórias, ver o errado e sair questionado pelos espaços que cada um pode.
TVs, radios, blogs, sites. Até no próprio estadio. Pois, acho que muitas vezes a diretoria tem que ficar quieta para não conturbar o ambiente ou não ferir egos.
Enfim cabe a nós fiscalizar, mas antes do leite derramar.

Um abraço a todos.

XXX D.G. XXX

Felipe Kamia disse...

Eu também sou meio reticente em relação a abertura de capital pelos clubes de futebol, e o meu argumento é o mesmo do Álvaro.

Caso o time abra capital na bolsa, provavelmente o público alvo seriam investidores profissionais. Como conciliar o interesse de torcedores e investidores. Quando tratamos de empresas capitalistas o interesse é único, o de ampliar o capital. Agora vos pergunto, será esse o intuito dos torcedores do Palmeiras?

Mesmo os torcedores que sabem que o time deve ser profissional tem em mente que a missão última do clube é gerar alegrias e glórias, não lucros. Mesmo que talvez esse último seja inerente aos primeiros.

E ficam algumas perguntas que gostariaeu gostaria que fossem respondidas. Em caso de abertura de capital, levando em conta que seriam menos de 50%, como se daria isso? A abertura seria do clube inteiro ou somente o setor di futebol?

Essa pergunta pelo seguinte motivo. Caso a empresa esteja tendo sucesso alguns levantaram a hipótese de parte do lucro seja investida na parte social do clube ou novas instalações para outros esportes. Será que os investidores iriam concordar com esse tipo de investimento? É óbvio que o retorno em investimentos na área social seria quase nulo, dado o alto custo e consequente longo prazo do retorno, caso ele exista.

E só uma observação. Não sei se a eleição direta de presidente seria uma boa opção. Supondo que conseguíssemos massificar o número de sócios não haveria o risco da eleição ser extremamente condicionada aos resultados de curto prazo? Ao meu ver, a melhor solução é possuir um conselho, e que este inclua conselheiros vitalícios, porém com uma proporção menor do que a de hoje (por ex. 30%)

Bruno disse...

Acredito na competência das pessoas. Pessoas capazes atraem bons frutos. ... O risco de abrir uma empresa e ela prosperar depende da capacidade do empresário...... Criar um gerente competente demanda 20 anos de funcionamento em uma estrutura burocrática, onde os papeis são bem definidos para cada função, como uma cartilha do dia à dia! ..... O papel da presidência se define no campo estratégico, onde a estrutura deve criar o plano para alcançar os objetivos, bem como a análise e contingências dos riscos envolvidos! ...... Dessa forma, eu pergunto, Vicente! ..... O estatuto do clube garantiria a estrutura, planos de carreira e etc.. Qual seria o papel do sócio? ... Se a estrutura é competente, o investidor aposta, se não ... São perguntas difíceis de serem respondidas! ... De qualquer forma o Palmeiras está dando grandes passos como a Arena; centro de excelência; investimento na base; ... Esses são grandes passos e o torcedor ainda tem dúvidas como no caso do centro de excelência, onde uma possível saída de Luxemburgo leve consigo a semente "FILÈ e demais" antes do tempo!

Enfim, acho que "devemos ser para poder"! O contrário me parece um risco imenso para ambas as partes!

Saudações e parabens pelo nível...!
Dalla Valle

Luís Fernando disse...

D.G., Felipe e Bruno,

Adiantando um pouco os próximos posts:

1) acho que os interesses dos investidores e dos torcedores estão completamente alinhados, pois se o time não ganhar títulos, o resultado financeiro também vai ser ruim. Acho que esse é um falso dilema

2) Para uma abertura de capital funcionar, seria necessário separar o futebol do restante do clube. O que o presidente do clube vai fazer com a participação do lucro do futebol que irá caber ao clube (50%) é problema do clube e dos associados

3) particularmete acho que a democracia tem uma série de defeitos, mas ainda assim é sempre o melho regime. Lembrando que o Mustafá é conselheiro vitalício, quem acha que ele representa, de alguma maneira, a vontade dos sócios e torcedores do clube?

Saudações AlviVerdes

Vitor disse...

Primeiro gostaria de parabenizar você pelo excelente artigo sobre a gestão de clubes no Brasil e sua visão como S.A. Sou estudante e estou escrevendo um artigo sobre o "Futebol Empresa" e gostaria de trocar informações com você. Gostei muito do que você escreveu e gostaria de receber se você pudesse alguns materiais para que eu possa desenvolver meu artigo. Compartilho a mesma visão sua e gostei muito do comentário do primeiro Post. Acho que seria uma revolução no mundo do futebol e no esporte brasileiro como todo.
Se puder ajudar lhe adradeço muito.
Saudações.