Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

Qual deve ser a receita dos clubes brasileiros?

Por Luís Fernando Tredinnick
Divulgação autorizada mediante explícita citação do autor e do blog Terceira Via Verdão

Depois de amargar um prejuízo na aposta com o meu colega flamenguista, eu realmente acho que o melhor é pensar sobre o futuro do time.

Pensando em futuro do time, andei pensando sobre os limites possíveis de arrecadação dos times brasileiros. É um exercício interessante.

Como já vimos no post http://terceiraviaverdao.blogspot.com/2008/10/as-cotas-de-tv-dos-clubes-de-futebol.html, os valores de Cotas de TV são muito diferentes entre os países e provavelmente o Brasil nunca vai conseguir chegar a valores próximos dos obtidos da Itália.

QUAL A SITUAÇÃO HOJE DAS RECEITAS?

Primeiro, vamos observar como a arrecadação dos times brasileiros contra os times dos principais times mundiais:


Podemos facilmente perceber que os grandes clubes brasileiros têm receitas, na média, de quase metade das receitas dos times alemães e de quase um quarto das receitas dos times da Espanha (e olha que o Valência fatura menos do que um terço do que o Real Madrid, trazendo a média para baixo).

Existem várias maneiras de se projetar as receitas dos clubes brasileiros a partir da experiência internacional. A metodologia que eu escolhi é simples: receitas dos clubes de futebol como porcentagem do PIB do país.

Toda metodologia apresenta seus prós e contras. No caso da metodologia escolhida, devemos lembras que os clubes europeus, principalmente os da Espanha, possuem uma parte considerável das receitas vindas de outros países. Esse é um fato que pode distorcer a análise, mas é um erro que podemos tolerar neste exercício.

QUAL É A PROJEÇÃO?

Vejam no gráfico abaixo qual seria a projeção de receitas dos clubes brasileiros (atenção que nesse caso os valores já não estão ajustados pelo PPP):
Se tivéssemos receitas como na Espanha, teríamos que multiplicar as receitas dos clubes brasileiros por 5.

Mas como a Espanha é um caso à parte, façamos a comparação apenas com a Alemanha, que possui uma porcentagem relativamente baixa das suas receitas vindas do exterior: os clubes brasileiros deveriam aumentar sua receita apenas 30%! Ou seja, com a Alemanha como modelo, estaríamos muito próximos do limite das receitas. Ou, se você preferir, quer dizer que não estamos tão mal em termos de receita.

Particularmente, acho que devemos olhar a média dos valores dos clubes da Alemanha, UK e Itália: os clubes brasileiros deveriam mais do que DOBRAR a sua receita!

E COMO DOBRAR AS RECEITAS?

Já discutimos muito aqui a necessidade dos clubes desenvolverem fontes alternativas de receitas. Mas para dobrar as receitas, é preciso mais do que isso: é preciso rentabilizar a torcida.

No Brasil o exemplo de não se conseguir transformar a torcida em receitas é o Flamengo, que possui receitas muito próximas das do Palmeiras, apesar de possuir uma torcida muito maior.

Além de se pensar em estádios maiores, como a nossa arena, também deve-se pensar em oferecer serviços no estádio: desde lojas e restaurantes até outras opções de entretenimento: visitas ao museu, filmes sobre o clube, etc.. Mais uma vez o pessoal do Jr. Leonor fez a lição de casa bem-feita e inaugurou um bar no estádio para ser ponto de encontro da torcida. A nossa Arena vai ter um impacto muito grande nas receitas (R$ 1 Bi, lembram?), mas não em 2009.

Outras ações que envolvam os Palmeirenses de outros estados também é fundamental. Alguém aí sabe de alguma iniciativa relevante?

Como sempre, a constatação é que ainda temos muito trabalho pela frente. Então, é melhor começarmos logo.

Saudações AlviVerdes

*Luís Fernando Tredinnick escreve todas as sextas-feiras no 3VV, explicando a quem conhece e também a quem não conhece os números no futebol.

3 comentários:

Renato disse...

Amigos,
Tenho uma dúvida séria.
Já cansei de ver jornais (leia-se Painel FC - Folha) escreverem sobre a dificuldade do Palmeiras em pagar os direitos de imagem dos jogadores, dizendo que normalmente atrasa,e aquela ladainha toda. Também sei que não se deve acreditar no que aparece nessa coluna. Mas acho estranho sempre publicarem isso no jornal e nunca terem sido sequer contestados. Nunca vi sequer uma nota de repúdio do Palmeiras quanto a isso. A diretoria não teria que pelo menos desmentir essas notícias, nem que seja uma notinha no site oficial?
A minha dúvida é a seguinte: existem mesmo esses atrasos? Não é isso que fez o time cair de produção?

Alguém sabe?

Anônimo disse...

Quanto mais fatura um clube de futebol significa que mais gente deu dinheiro para quem vive desse circo. E depois dizem que os europeus sao inteligentes e desenvolvidos.

Ricardo Teixeira disse...

Luís, no pouco que já estudei sobre as receitas do futebol brasileiro, eu posso concluir que os clubes têm um padrão totalmente equivocado - pra não dizer errado - para gerar receitas significativas. Com Negociação de Atletas e TV ocupando mais de 60%. Enquanto o certo seria dividir com uma certa eqüidade entre Arena, Mídia e Marketing. Tal marketing praticamente inexplorado por aqui.

Os dirigentes são arcaicos e não tratam o torcedor como consumidor e sim como um mero espectador momentâneo. E mais uma coisa, os clubes não sabem - não o fazem - conhecer seu torcedor para atender seus desejos e necessidades. Um dia desses no blog Esporte S/A, foi citado um case de uma franquia na MLB que se reformulou totalmente e conseguiu aumentar os valores de seus contratos de patrocínio e de vendas de ingresso. Muito disso devido às pesquisas para identificar as necessidades de seus torcedores. E o bônus de tudo isso foi a chegada desse "novo" time na final da liga.

Realmente, o futebol brasileiro ainda precisa caminhar bastante.

Abraços